terça-feira, 9 de outubro de 2012

#Aprendendo



 Dia desses acordava ao ponto de querer sumir.
Correr pra bem longe. Sem deixar pistas. Sem deixar saudades. Só sumir. E tudo que passava em minha mente, era ir. Sem saber para onde o ”ir” iria me levar. Só tinha toda a certeza da vida, que tinha que partir. Ex-amores não resolvidos, ex-amigos indesejáveis e inimigos tinham que ficar. Andava pelas rua sem destino. Descontínuo, à procura do nada. Uma mochila vazia nas costas, um caderno desbotado, um lápis e uma borracha suja de tanto apagar os erros. Os erros da vida. Um livro do Monssenhor Jonas Abib nas mãos. Ler Pe Jonas, dá sempre uma vontade de viver a vida. De acreditar em mim.

Lia em meu caderno falhos versos, entre empoeirados a vida termina numa página rasgada, numa página esquecida. E caminhava, caminhava não sei pra onde e à onde.

Mas chega uma hora que a gente cai na real, e logo pensa  que a vida é tão boa de se viver, e ficamos por ali, parados, perdendo tempo de ser feliz, ficando triste. Perdendo tempo de construir o presente lembrando do passado. Veja só, que vida linda. Às vezes a gente tem tudo em nossas mãos, só que não sabemos lidar com aquilo tudo, e acha que aquilo tudo é nada. E no fim, acaba perdendo tudo. Tanta gente sendo feliz com nada, e a gente com tudo, não sabe dá conta. Hoje, Seis e pouco da manhã, me escrevo. Feliz. E não foi que acordei me amando hoje? E daqui pra frente vai ser assim. Cheio de amor próprio. Chega de amores vazios. Chega de dar carinhos de consolação. É lei, pois sempre tive aquele medo de gostar. De me envolver profundamente com alguém. Amar uma pessoa dá um medo sem medida. Um medo de perder a liberdade, de não saber mais voltar. Agora? amar me parece seguro, com todos os riscos que ele vem me apresentando. Que loucura essa história  de amar. De gostar. De se dedicar e fazer de tudo para conquistar alguém.  Felizes são aqueles que escolhem as pessoas "certas", não porque elas são as melhores do mundo, mas são as melhores do nosso mundo.  Não acredito que existem pessoas certas, existem pessoas que querem dar certo, o amor de fato é uma DECISÃO.

 Às vezes na vida, você tem que esquecer o que você quer, para começar a entender o que você realmente merece.

Hoje me sinto feliz.

quarta-feira, 20 de junho de 2012





Perdi a conta do tanto que escrevi, e nada foi capaz de dizer tudo que queria hoje. Ando sem paciência, ando precisando daqueles momentos que me fazem esquecer de tudo....

domingo, 27 de maio de 2012

#HangoverOfLife


Sempre tem aquele momento no dia que tudo que está acontecendo à sua volta dá um passo pra trás e você se vê sozinho com seus pensamentos. Nesse momento fica um silêncio e você ouve por milésimos de segundos o que você realmente está pensando sobre a vida, o mundo, você!
É como quando o mar puxa de volta a água, e deixa à mostra as conchas, pedaços de vidro, folhas e tudo o que ele escondia ali na areia...
Eu chamo de ressaca da vida.
Diferente de ressaca do mar, que faz ele ficar mais violento, a ressaca da vida é como a que temos no dia depois da doidera.
Tudo fica silencioso e você repensa as coisas que fez no dia anterior.
Até pouco, mas muito pouco tempo atrás quando isso acontecia me batia uma tristeza bem grande. Eu só via o que me faltava e não o que eu tinha. Me sentia sozinho e a solidão pesava demais. Pesava tanto que eu me desesperava e achava que nada poderia me salvar daquilo.
Hoje quando bateu essa ressaca da vida eu sorri. Sorri porque não me senti desesperado. Não senti solidão e não fiquei triste. Eu enxerguei as conchas, as estrelas do mar, as pedrinhas...
O que mudou? Nada, ainda sou a mesma pessoa, tenho os mesmos amigos e os mesmos fantasmas. Mas por um instante senti que pra ficar de pé só preciso das minhas próprias pernas. E eu estou em pé. Isso significa alguma coisa!
De qualquer forma ainda viro cada folha da minha vida atrás dos  objetivos que fazem tudo valer a pena. Mas não acertar sempre esse capítulo não me aborrece mais tanto quanto aborrecia.
É. Parece que agora o copo está metade cheio.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

#SobrePalavrasEOlhares

Era uma vez um mundo com apenas dois tipos de pessoas: as de olhares e as de palavras.


As de palavras não costumavam se entender muito com as de olhares, e vice versa. Quando uma olhava, a outra falava. Quando outra falava, uma desviava. E assim eram praticamente todos os dias. Por serem diferentes, elas se dividiam e mal se esforçavam pra se entender.


As que falavam costumavam casar e ter filhos com as que falavam. Moravam juntas, falavam sobre as paredes, sobre os lençóis, sobre os programas da tv e sobre o supermercado. E não era raro ver essas palavras virando gritos, e discussões que não terminavam nunca. E as casas começavam a ficar tão cheias de letras e palavras, de textos e poesias e xingamentos, que num certo momento cada um estava num canto da sala, esmagados por negritos, itálicos e caixas altas, e não conseguiam mais falar nenhuma palavra, já que não havia mais espaço. Aí então reinava o silêncio. Mas elas não entendiam o silêncio. E ali tudo acabava.


Já as pessoas de olhares, ficavam andando pelas ruas e atirando piscadelas pra todos os lados. Era só olhar pro lado e já vinha outro olhar. E uma sobrancelha levantada. E uma encarada demorada. E nesses segundos de trocas de olhares os sentimentos eram entendidos entre essas pessoas de uma forma tão rápida e segura que ninguém conseguia direito explicar (só os que viam). Mas de tanto olhar, eles não prestavam atenção no que lhes falavam. E nem no que lhes diziam e gritavam. Só no que mostravam. E o silêncio era a melhor forma de se comunicar com eles. Mas às vezes distraídos perdiam um olhar, ou se esqueciam de ver. E então se sentiam sozinhos, num mundo onde ninguém os compreendia.


Então um dia uma pessoa de palavra, já cansada de tanto diálogo, encontrou uma pessoa de olhar, também cansada de nunca ser entendida. A princípio elas tentaram falar e olhar ao mesmo tempo. Mas notaram que não daria certo. Daí, a que falava aprendeu umas piscadas. E a que olhava aprendeu a falar. E começaram então a se perguntar se era mesmo necessário falar o que já era visto. E conversavam por horas e horas sobre coisas que os olhares não enxergariam. Então souberam entender que tem hora pra falar e tem hora pra ver. E que na verdade, o importante é invisível aos olhos e palavras são tão gostosas e perecíveis quanto um copo de leite fora da geladeira.



"Olha nos meus olhos e esquece o que passou..."

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

#CoraçãoBurro

Ouvi muito essa expressão nos últimos dias e percebi que quase todas as pessoas que conheço já me disseram ao menos uma vez 'meu coração é muito burro'. Ficou estabelecido na consciência coletiva que, ao ouvirmos somente nosso coração vamos acabar sofrendo, e se ouvirmos a razão iremos sair ilesos dos relacionamentos. Não é bem assim.
Na verdade a questão é que quando amamos ficamos mais propensos a nos decepcionar e a sentir dor. Vemos a outra pessoa como uma fantasia,pois conseguimos ver muito além do que ela já é! Antecipamos sua grandeza,pois confiamos e acreditamos em sua grandeza oculta,mas qualquer segundo de realidade pode nos machucar,somos humanos,geramos expectativas,não dá pra negar.

Quando entramos num relacionamento acreditamos que encontramos a pessoa que preenche todos nossos requisitos. E quando saímos do mesmo relacionamento fazemos uma lista de novos requisitos.

Descobrimos coisas que precisamos, coisas que nos fazem bem e que admiramos. E percebemos tudo que faz mal, que faz falta e que cobramos.
Aí fica aquela coisa, só vamos nos apaixonar novamente quando uma pessoa preencher todos as qualidades que achamos necessárias e que talvez a pessoa anterior não possuía.

A parte do coração burro entra agora. Sentimos que nosso coração é burro quando ele bate mais forte e nos faz pensar o dia todo em uma pessoa que não preenche nossos requisitos. Quando queremos o beijo e o abraço de uma pessoa que tem os defeitos que você procura fugir. Quando vemos que as pernas tremem por uma pessoa que está longe de ser a que você menos vai brigar, menos vai chorar e sofrer.

 A pessoa não concorda com algum ponto de vista seu, ela não quer sempre ir aos mesmos lugares e nem gosta da mesma comida. A pessoa gosta de um estilo de música oposto o seu....

Mas você se sente bem ao lado dela. Você se sente feliz e completo quando está nos seus braços. Você dorme feliz quando ouve que ela está feliz. Você se preocupa com o que ela pensa, com o que ela sente. Você quer olhar dentro dos olhos dela. Você gosta do perfume, do toque e do gosto do beijo. Você a vê passar e seus olhos seguem. Você quer que ela fale com você, que conte com você e que queira você.

Se você é assim, seu coração está sendo o que julgamos de 'burro'. Você luta contra a razão da sua cabeça e das outras pessoas para poder saciar o que seu coração pede a cada instante. Você sente raiva do seu coração por ser assim e quando você não o ouve bate um arrependimento que nem sua razão consegue tolerar.

Por isso eu acredito que é válido ouvir o coração, por mais burro que ele pareça ser. Se ele insiste pra você que 2+2=peixe, compre um sushi na próxima prova de matemática. Seu coração é burro mas ele que te faz feliz. É ele que vai te fazer sentir calafrios de paixão e é ele que vai te deixar apaixonar outra pessoa. Seu coração que te deixa fazer o bem e trazer felicidade. Se ele sofrer a ponto de não aguentar ele pode pedir ajuda à razão pra se reerguer. A razão é a disciplinadora, a diretora do colégio. Mas ela não tem que mandar, senão você perde toda a diversão.

Meu coração é burro. Sempre foi. Ele sofre sozinho e aguenta sempre um baque maior que o anterior. Minha razão conversa com meu coração o tempo todo. Eles são amigos, trocam figurinhas, riem juntos mas nem sempre chegam num acordo. E quando não conseguem um veredicto deixam as coisas na mão de um terceiro elemento: o tempo. Que na verdade é só uma desculpa para deixar o conjunto razão-coração agir no automático e fazer o que realmente querem sem pensar demais e estragar tudo.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

#AdeAmor

Não acredito que alguém consiga ser plenamente feliz sozinho. A gente se distrai muito até encontrar o amor de verdade. Desculpe, mas sou piegas assim: acredito em amor de verdade. Você pode encontrar muita gente pelo caminho. Muitas enganações, muitas promessas, muitos beijos, muitos corpos e corações. Mas a gente sente quando ele, o amor, chega pra ficar.

Você sente pela sensação de conforto que ele oferece. Pela calma. Pela paz. Por ajeitar tudo lá dentro do peito. É que as paixões nos bagunçam. Nos desarrumam. O amor arruma tudo. O amor faz uma faxina emocional. O amor deixa tudo limpo, novo, claro. A paixão dá uma sensação de poder, faz o chão sacudir, seu corpo balançar. O amor traz segurança, tranquilidade. O amor é sereno.

Durante muito tempo eu quis sentir aqueles efeitos e reflexos de paixões. Elas arrebentam, arrebatam, atormentam. O amor, não. O amor tem o mesmo efeito de um abraço bem longo e apertado. Ele te deixa com a cabeça nas nuvens e os pés no chão. É que amar é ter os pés no chão. Olhar para a frente junto com o outro.

Amor é realidade, dia a dia, dificuldade. Amar é vencer uma batalha todo santo dia. Porque não é fácil conviver com alguém. Não é fácil dizer olha, te entrego meu coração, meu sentimento, minha emoção. Olha, cuida bem de mim. Cuida do que eu sinto. A gente tem que baixar a guarda, engolir o orgulho, se deixar levar. Se perder para se encontrar. O amor é um encontro. De você com você mesmo. Amar é se ver nos olhos do outro. Mesmo que ele esteja com os olhos fechados.

Acredito que existem amores saudáveis e amores prejudiciais. Amor saudável é aquele que une, junta, agrega. Amor prejudicial é aquele maluco, possessivo, que separa, que isola. É muito ruim quando seus amigos ou família não gostam da pessoa que você escolheu para viver junto. Amar é querer reunir todo mundo que mora no seu coração. Ainda bem que eu estou conseguindo. E vou buscar conseguir todo dia.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

#Momento

Saudade de escrever como eu escrevia há dois anos.

Eu não tinha medo do que iam pensar dos meus escritos.

Na verdade, não é que eu tenho medo hoje. É que descobri que há coisas que são melhores caladas.

E descobri - ok, eu já sabia - que as palavras geram tanto estresse. Elas tem duplos sentido, elas marcam, elas assinam. E exatamente por serem tão pesadas que eu as amo. E preciso delas.

Mais do que escrever, eu preciso ler. Ler o que escrevi ou ler o que me escreveram.

Saber que o pensamento surgiu, foi codificado, passou pela cabeça, desceu escorrendo até os dedos, bateu tecla por tecla, num esforço elétrico foi parar na tela e ganhou forma. E se salvou, e apertou enter, e publicou pra todo mundo ler e entender. E foi lido.

E está ali. Marcado. Como uma foto estampada no fundo da retina.

Qualquer frase tem efeito. O efeito de uma frase é o efeito daquele olhar.

Sabe aquele olhar? Aquele que atravessou a mesa e bateu em você e te deixou com as bochechas cor-de-rosa e as pernas um pouco
moles? Esse olhar.
Uma frase também tem efeito de beijo no olho, de carinho na nuca, de pés enrolados no frio.

E mesmo assim, já repararam que é mais fácil atravessar todo esse processo de escrita do que aceitar a realidade de um gesto?

É, escrever pesa mas escrever pode ser fútil.
"'Cause saying 'I Love You' has nothing to do with meaning it!"
Vai ver por isso eu abandonei um pouco as palavras. Abandonei o blog e segurei as teclas um pouco. Tenho tentado dar mais valor aos gestos, olhares e toques. Do que ao que me falam e digitam.
Não sei ainda o que é mais forte. Nem se deveria existir essa divisão de 'poderes'. E tem sido difícil pra um menino de códigos entender coisas tão aéreas como beijos e abraços.
Mas tem sido uma aventura.
Talvez passe mais tempo longe daqui.

Talvez não.