segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Estante


Na estante não cabe mais nada
Se amontoam os livros, bibelôs e lembranças
Na estante não cabe mais nada
Nem mesmo um retrato de quando eu era criança

Se num instante eu jogasse tudo fora
E perdesse de vez toda aquela esperança
De tirar do meu peito o que tenho agora
Um amontoado de dores e vinganças

Será que encheria a estante de novo
Com outras memórias e outros assombros
Acabaria por achá-la muito vazia
E buscaria objetos emprestados de outros

Então veria a estante abarrotada novamente
Com dores, saudades e algumas agonias
Ficaria a estante lotada pra sempre
Numa bagunça de vida que não seria mais
a minha

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

..e o que separa o frio do calor é a emoção de saber que vou te encontrar um dia, eternamente te encontrar...




Horizonte distante - Rosa de Saron

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Nau

Minhas energias eram necessárias em outro universo: A realidade. E neste outro mundo doido onde permaneci tanto tempo imerso, muitas coisas mudaram. Novos desafios novos rumos , oportunidades “nunca dantes navegadas”. De repente em um piscar de olhos de algumas semanas tudo virou, os ventos sopraram para outra direção, exigindo atitudes rápidas, decisões certeiras e braços fortes para segurar as velas ao vento cortante. É bem verdade que as bagagens estão intactas, boas ou ruins, todas bem guardadas no porão. Dos companheiros de jornada alguns se assustaram, outros se molharam, mas cada um ainda permanece no barco, entendendo ou tentando entender os novos horizontes. Também é verdade que não são apenas mares calmos, assim como também não são fáceis nossos esforços coordenados para que tudo caminhe bem, mas não há mares calmos. Não existe nada neste oceano que seja calmo e constante. Em essência, assim são às águas. E assim como nós, comandantes, tripulantes e mesmo o destino. Somos todos água, todos navegantes, e somos também nossos próprios destinos. 
Espero alcançar não o fim da jornada, mas encontrar a minha volta as melhores águas que meus destinos possam me trazer. Não como comandante, mas como aprendiz dos mares. Sigo aprendendo, errando. Grandes erros que talvez mudem de vez nossa jornada, sem que tenhamos nos dado conta. Nossos erros que após cometidos deixam para trás o sonho de encontrar um porto seguro. Mas sigo com uma estranha tranqüilidade, digna de um marinheiro. Como o maior aprendiz que minha determinação me faz capaz. Pois a grande lição do mar é que somos eternos aprendizes e que são as maiores tempestades que nos ensinam realmente a navegar.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Poor Heart

Apenas folhas em branco 
Aguardam o parecer de tintas esvanecidas. 
Aguardam a tradução de uma dor em palavras 
Ansiosas, curiosas, dependentes de um coração abalado. 

Banidos da mente de alguém 
Beijos são levados até outros lábios. 
Bocas que não merecem seus pecados 
Brilhos que deveriam ser apagados. 

Carentes, as folhas ainda esperam 
Coisas que ninguém quer deixar lembranças. 
Cessam os sentimentos que acabaram de ser gerados 
Calibrados em outras armas, sem sentido de serem usados. 

Desde então o coração apenas age para provar que é forte. 
Diz coisas apenas para ser ouvido e consolado 
Dentre outras mentiras para dar suporte a 
Dores e desilusões de quem não quer ser jogado. 

Existe alguém lá fora que há de entender 
E curar esses buracos criados por balas meliantes. 
Então talvez a tinta esvanecida possa ir para o papel 
Escrevendo versos mais belos, desta vez vindos de um coração amante

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sobre morrer

Existem várias formas de se morrer e de se matar, e muitas delas não envolvem de fato parar de respirar.
Pessoas passam pela nossa vida e vão embora. Algumas deixam saudade, lembranças boas, esperanças e vontade de reencontrar. Outras simplesmente cumprem seu papel e desaparecem. Mas algumas poucas ocasiões existem onde temos que matar uma pessoa da nossa memória. Para acreditar que ela não existe mais e que por mais que a vontade de viver coisas boas como as que viveu ao lado dela apareça, não poderá matar a saudade.
Pessoas já me mataram assim e já notei que, sem querer, matei algumas também.
Mas nunca fiz de propósito.  Sempre tento viver a vida no meio termo. E isso tem me prejudicado.

Eu penso no lado das pessoas, e mesmo quando encontro defeitos e erros tento entender o porquê desses defeitos existirem. Mesmo quando estou com raiva e quero cometer um ato impulsivo, penso que o exagero só traz coisa ruim. Temos que saber dosar a vida.
Gosto de analisar as pessoas e tentar encontrar lógica pra cada passo que dão. Mas nem sempre a vida me deixa entender tudo. E sou tão humano quanto as outras pessoas, podendo errar nos meus relatórios vez ou outra.
Por isso gosto de comentar com algumas pessoas as coisas que penso, pra ver se pensam igual ou se eu errei. E assim junto informações, monto meu dossiê, brinco de achar que entendo tudo e tenho controle.
Mas não tenho.

E de tanto ser nem 8 nem 80, vejo que tenho que aprender a ser 80. Que ser compreensivo com todos e mesmo nas horas de raiva querer ser amigo de todo mundo não dá. Que mesmo quando vejo erros em alguém não posso fingir que eles não existem. Que mesmo quando vejo sujeira numa situação não posso fingir que é normal e que acontece nas melhores famílias.
Não posso ser complacente com tudo e todos, não posso mais achar que todo mundo faz as coisas pro bem e quem faz o mal fez sem querer.  Ouço falarem mal e julgarem mil pessoas, às vezes balanço a cabeça concordando, às vezes na hora até falo que é verdade mas sempre fico em cima do muro porque sei que primeiras impressões podem ser falsas.



E quando sinto minhas pontadas de emoções devo mostrá-las sem medo. Porque tenho mania de mostrar a todo mundo o que sinto, menos a quem importa. Pelo menos é o que eu acho que faço. Às vezes devo ser mais transparente do que uma vidraça.


 A morte não traz só dor. Ela ajuda a superar.
Matar uma pessoa da sua vida ajuda a esquecer, a dar a volta por cima, a desencanar. Mortos não falam, não andam, não nos fazem nenhum mal. Então a morte ajuda a não olhar pra trás em hipótese alguma. Podemos lembrar sem querer de um instante e até sofrer baixinho na hora, mas o sentimento de pêsames fica no lugar pra nunca ter que olhar pra trás. Olhar pra trás só machuca.
Agora olho só pra frente e pra dentro de mim.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Sem título

Axo que não sei lidar com essa sensação de perda, de incapacidade, " o que pensar da vida e daqueles que sabemos que amamos". É estranho ser fraco em uma das suas maiores virtudes. O temor do que existe, do que pode vir a acontecer, do que não é certo. Nunca fui tão inseguro nas minhas seguranças, nunca deixei tanto de ousar. Sentimentos novos.....
Percebi hoje que não posso deixar uma irmã tão longe, tão sozinha, me foi importante e amada por tanto tempo, ao falar com você hoje irmãnzinha, ainda mais em um momento de tanta dor me fez perceber que te deixei, A Luz do sol amanhã terá o seu semblante certamente. perdão, quero estar mais próximo de ti Luzinha!
E me fez lembrar também de outra que me é cara, e maus entendidos nos afastaram.
Tenho que lutar mais pelos meus!
Infelizmente o crescimento nos toma tempo, percebi que isso não é desculpa...de fato os anos passam cada vez mais rápido, e dias tendem a ter sempre cara de horário de verão. Ainda existe uma madrugada o outra em que posso ouvir o silêncio, ter conversas agradáveis com pessoas ímpares e preciosas =). Querer não dormir pra não precisar correr tudo de novo. Mais minha cardiologista me pediu que eu dormisse bem, então eu to treinando - embora ainda sem muito sucesso - não pensar no momento que estou na cama, me  concentrar em canções repetidas vezes até me perder em inconsciente.

Desculpe-me meus leitores hoje a falta de um texto um pouco mais poético, o dia foi cheio de emoções, medos, tensões, perder um stand Up que queria tanto ver, querer correr pra abraçar a Lú e não poder, querer dormir muito sem me sentir culpado, querer deitar em uma rede e conversar, sentar no chão pra olhar estrelas e falar sobre a vida naquele lugar especial.

Mais te agradeço o Deus por me permitir viver nesse dia, foi especial, foi uma missa linda, foi um dia que nunca mais vou viver, então foi único!

domingo, 18 de outubro de 2009

Noite fria



Lá se foi minha paz
Toda minha solidão com gosto amargo
Passava os dias sofrendo calado
Aquela insegurança onde nada mudava

De repente as janelas não estão abertas
As luzes ainda todas acesas
O desencargo
O desabafo

Lá se foi minha insônia
Os quatro cantos do quarto espantados
Ao ver os medos tirando um cochilo
E minha verdade acordada

E minhas pernas não param mais quietas
Minhas mãos não sabem onde ficar
A vida pesa e sufoca 
E não deixa de pensar

Que lá se foi meu sossego
Meu coração que batia ritmado
Minha frustração em nunca encontrar
E meu amor somente em me amar

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

am I?

Não sou perfeito e estou longe de querer ser. Tenho mil defeitos e eles me ajudam a ser quem sou. Não gosto deles mas eles existem. Quando consigo fazer desaparecerem, fico feliz, mas se eles permanecem tento viver com eles.
Eu sou falante em alguns momentos e quando fico quieto não sou muito fã de falantes perto de mim.Sou ansioso e gosto de tudo pra ontem quando é de meu interesse. Sou escárnia. Sou sincero demais. Me faço de dissimulado por alguns instantes pra poder arrancar algo de alguém. Acho que sei o que todo mundo precisa. Me irritam quando me cobram algo. Não aprendi a ouvir críticas. Odeio esperar e chego atrasado.


Às vezes sumo sem me explicar.Às vezes tenho medo de ficar sozinho e às vezes é tudo o que quero.
Não ligo no aniversário de todo mundo. Não visito meus avós há anos e não me dou bem com meu irmão. Faço papel de durão só pra enganar, e odeio quando enxergam minhas fraquezas.


Amo carinho gratuito, mas odeio ter que pedir atenção pra alguém. Cobro que as pessoas me liguem mas dificilmente atendo algumas pessoas.
Não consigo ter uma rotina. Só como quando sinto fome e só durmo quando sinto sono.


Tenho carta de habilitação,mas não gosto de dirigir.Não tenho dinheiro pra táxi. Não gosto de depender dos outros. Não passeio com meu cachorro sempre que posso. Não passo minha roupa antes de guardar.  Não organizo meus livros por ordem alfabética. Não mantenho coleção de nada.


Guardo cartas que recebi mas nunca leio. Reclamo que ninguém me escreve mas não escrevo pra ninguém há meses.Invisto em coisas que não me darão lucros.Não sei demonstrar interesse.


Sou sério quando tenho que rir. Dou risada quando devo ficar quieto. Tenho tendência a não guardar meus segredos. Não sei ser misterioso. Tenho mau humor quase todas as manhãs que às vezes dura o dia todo.
Odeio baladas lotadas e fujo de muvucas. Mas gosto de perder a cabeça quando não tem ninguém olhando.
Não sei dançar o quanto queria. Acho que canto bem mas tenho vergonha de me esforçar mais.


Deixo a vida me levar na maioria das vezes. Não sei ser totalmente indiferente. Desisto dos meus planos com facilidade.


Fuço Orkut, fuço twitter, leio blogs alheios.Sou ingênuo quando quero ser esperto. Tenho medo de dizer que amo.
Não sei falar mais que 3 línguas, não venho de família rica, não sou da alta sociedade.Me perco em política e não sei nada de moda.
Não terminei quase nenhum jogo de vídeo-game, não terminei de aprender violão e to longe de tocar sax. Há meses que não termino um livro.


Mas tudo isso faz parte de mim. São meus defeitos que me fazem eu. Alguns vão sumir, outros novos aparecerão. Mas sempre vou ter orgulho de ser quem eu sou. De quem meus defeitos me fazem ser.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

NOVO DE NOVO

Sobre o que escrever?
Geralmente é a maior das dores
Poetas escrevem sobre o pôr-do-sol
Ou o perfume das flores
São inspirados pela mulher amada
Ou por cada um dos seus temores
Eu não sou assim...
Eu não sou poeta!
amo mas não sofro
Se amo é por amor
Entenda... Anseio por uma mudança
Onde tudo fique igual
Só nunca o mesmo
Do que era antes... Antes de eu nascer...
Quando não-poetas sabiam exatamente
Sobre o que escrever.