segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Nau

Minhas energias eram necessárias em outro universo: A realidade. E neste outro mundo doido onde permaneci tanto tempo imerso, muitas coisas mudaram. Novos desafios novos rumos , oportunidades “nunca dantes navegadas”. De repente em um piscar de olhos de algumas semanas tudo virou, os ventos sopraram para outra direção, exigindo atitudes rápidas, decisões certeiras e braços fortes para segurar as velas ao vento cortante. É bem verdade que as bagagens estão intactas, boas ou ruins, todas bem guardadas no porão. Dos companheiros de jornada alguns se assustaram, outros se molharam, mas cada um ainda permanece no barco, entendendo ou tentando entender os novos horizontes. Também é verdade que não são apenas mares calmos, assim como também não são fáceis nossos esforços coordenados para que tudo caminhe bem, mas não há mares calmos. Não existe nada neste oceano que seja calmo e constante. Em essência, assim são às águas. E assim como nós, comandantes, tripulantes e mesmo o destino. Somos todos água, todos navegantes, e somos também nossos próprios destinos. 
Espero alcançar não o fim da jornada, mas encontrar a minha volta as melhores águas que meus destinos possam me trazer. Não como comandante, mas como aprendiz dos mares. Sigo aprendendo, errando. Grandes erros que talvez mudem de vez nossa jornada, sem que tenhamos nos dado conta. Nossos erros que após cometidos deixam para trás o sonho de encontrar um porto seguro. Mas sigo com uma estranha tranqüilidade, digna de um marinheiro. Como o maior aprendiz que minha determinação me faz capaz. Pois a grande lição do mar é que somos eternos aprendizes e que são as maiores tempestades que nos ensinam realmente a navegar.

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