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Olhar a vida é olhar um espelho. É enxergar nela aquilo que nos faz vivos. É arte, ou redenção. Alguns vêem o puro fascínio do milagre da arte, outros vêem puro acaso. Talvez seja essa a beleza de tudo, somos nós mesmos, hora mente, hora coração. Nossa realidade é realizada frente nossos olhos da forma que entendemos o mundo.
Vemos o que sabemos enxergar.
E saber ver a vida é entender que é tudo puro reflexo.
Reflexo de nós, do que acreditamos, do que ansiamos por vir. Somos Reinbrand, somos Miró, Frida, Einstein, Baudelaire ou Dostoievski. Cada qual no seu momento, cada um às suas luzes. Temos uma universalidade de formas, um amontoado de percepções e de seus efeitos.
Arte, ciência e contemplação.
Quem alcança a simplicidade humilde de ver o mundo a sua volta, como que sentisse o vento lhe atravessar a alma, inexistente e só, na contemplação plena dos sentidos que tanto sentido fazem.
Somos a capacidade de ser tudo o que sabemos ser. De respirar aquela sensação de tudo à volta. Cada vez mais percebo que somos de uma naturalidade incompreensiva, só alcançada com o silêncio e alma livre.
Somos capazes da plena razão, despida da ação, assim como tão capazes da ação frente ao que não nos veste plenamente.
Como se a arte do mundo se bastasse em si, em nós.
Como se o céu fosse uma poesia divina em moldes quânticos.
Ciência e arte d’onde ainda não navegamos.
Quando foi que esquecemos que vivemos no paraíso, e esquecendo, acabamos por ver apenas pão e vinho?






