domingo, 27 de fevereiro de 2011

#SobreUmSonho

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eu me localizo naquele vão entre o fim e o esquecimento. entre o amor e a realidade das coisas. entre o purgatório e o céu. aqui em casa, as plantas da varanda não bebem água há 2 semanas, esquecidas no turbilhão. estranhamente, não morrem. há tantas coisas que sobrevivem sem alimento. e, no entanto, não posso dizer que haja tristeza. porque a tristeza torna tudo turvo. e, embora tudo não esteja exatamente claro, também nada está perdido. enfim. é o que sinto. pisco os olhos e, nesse átimo, sonho de novo aquele sonho do céu.

 A tarde é de um domingo cinza-azulado e Deus é todo respostas: existe um mar vermelho no meu peito e ele diz que vai separá-lo, para que eu possa atravessar. então Deus me manda correr. e quando penso que estou longe dele, tropeço numa nuvem empoeirada e caio em seu colo. Deus me segura e me leva para a despensa. sanduiches do subway, barras de cereais, litros de água mineral e um carregamento de polpa de açaí. oh, Deus, quando as coisas somem, elas ficam guardadas aqui? Deus apenas sorri. parece que tudo vai se resolver. então durmo dentro do sonho.

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