São 04h e finalmente esta tudo tranquilo por aqui, então estou me dando direito a escrever....
Sobre Abraços...
Que coisa mais estranha é o abraço!
Analisando friamente, o abraço é realmente estranho: duas pessoas se aproximam e com os braços envolvem e trazem para si a outra. Parece uma espécie de ritual mágico digno da análise do olhar do antropólogo.
Às vezes tenho disto: esvazio algumas coisas de um significado óbvio, e apenas observo. Observo como uma criança que ainda tem um mundo inteiro pra significar. É um exercício saudável para a mente. Traz consciência sobre algumas coisas que reproduzimos por hábito. Embora, de fato, ainda tenha um mundo inteiro de "indecifrações" ao meu redor, ou mesmo dentro de mim...
Como um bom psicólogo, o que posso colher dos experimentos que trago na mente, são meus testemunhos:
· Quando criança sentia dores de cabeça esporadicamente: podia ser a sinusite. Visitava vez ou outra a pediatra, mas não era nada demais... Quando as dores vinham, o abraço da minha mãe [até que eu pegasse no sono, às vezes] fazia a dor passar. Era o remédio que eu preferia. Não sabia nem ler direito ainda, a letra na receita não ajudava, mas certamente a médica devia ter prescrito isso lá.
· Eu abraçava árvores, coelinhos, Preas, e muito feliz quando pude abraçar meu primeiro cachorrinho e eu podia jurar que eles agradeciam pelo afeto.· Já abracei parentes distantes, desconhecidos, bebês, folhas soltas onde se escondiam versinhos para paixões secretas, brinquedos novos, e até hoje abraço livros e fotos de pessoas queridas!
· Abracei amigos. E conquistei amigos com abraços.
Existem coisas que de tão preciosas para os olhos, precisam ser tocadas. É como se houvesse uma crescente necessidade de trazer o mundo para dentro de nós através dos sentidos.
Quanto tempo antes do desespero tem uma mãe ou um pai que não pode tomar no colo seu bebê? Ou uma criança diante do brinquedo? Ou um músico diante do seu instrumento? Ou um apaixonado longe das mãos da amada?
É bonito ver alguém diante do Invisível adorado, levantar as mãos enquanto canta, mesmo consciente das limitações físicas do relacionamento com Quem não se vê, como que pedindo colo. Os músicos cristãos me emocionam sempre.
Tudo que eu abraço entra no meu coração, como se o abraço fosse um portal mágico.
Acho que há um segredo bem aí: quando abraçamos, tiramos os braços do caminho. Se eu pudesse inventar significados como num jogo de letras, diria que este “a” em a-braço é uma negação mesmo. A-braço quer dizer literalmente: sem-braço. Sem os braços no caminho, o que sobram são peitos abertos. E nesta profunda troca, nestes segundos enquanto descobrimos os caminhos no coração alheio, os olhos até se fecham. Nada como se aventurar numa trilha misteriosa sendo guiados apenas pelo nosso próprio coração “desprotegido”! Olhos para que?
Se nada do que eu digo é cientificamente confiável [quem chamou a ciência nesta história?], quero que me expliquem de que forma, quando fecho os olhos, vejo dentro do meu peito minha mãe atenta; meu pai me amando lá do céu, vejo muitos rostos de amigos, muitos antigos colegas de escola, meus pets, crianças... ouço música. [Sim, meu coração sempre toca música, quando não penso estou a cantar.]
Tudo bem o abraço não é estranho é..é..é..abraço, abraço é um [se não o] dos maiores gestos de amor, pois O abraço foi capaz de mudar toda minha vida, de me fazer re-amar e reviver.E é O Amor que tudo transforma!
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