terça-feira, 8 de janeiro de 2019
#TheDoorClosed
Durante muito tempo acreditei que minha vida era vazia, que tudo em volta era silêncio, até perceber que nada ouvia, pois meus gritos tomavam todo espaço de qualquer voz que pudesse me dar a direção, meus gritos ensurdeceram até mesmo o Céu, Deus fala na brisa leve.
Agora quando tudo é de fato silêncio, não há mais ninguém a falar, meu lugar se tornou um buncker, e a porta se fechou. Não há janelas aqui, não há como alguém ouvir o som da minha voz, e não há ninguém a minha procura. É uma prisão sem sentido; meus gritos que machucavam os ouvidos, feriam que os presenciava, agora calados, trazem um pouco mais de paz àqueles que infelizmente tiveram que se fazer ouvintes, ainda que eles ainda tragam pesadelos, com o passar dos dais, serão esquecidos.
Hoje há silêncio, mas não há mais perguntas, não há mais caminhos, não ha o que haver.
Sei que ainda preciso voltar, dar mais uns passos, há um pedaço de mim lá fora, ainda que o desejo seja apenas fechar os olhos e também não ouvir as vozes que tomam contam de todo o resto de sanidade que me restou, queria voltar para aquele dia, aquele ponto onde era somente a solidão acompanhada no meu jardim com Deus. A solidão me cai bem.
Os sonhos já foram mau vividos e mau realizados.
Quanto tempo faz que não olho as estrelas? Há quanto tempo não há uma boa noite?
Que saudades solidão, saudades quando éramos eu e você e só podíamos ferir e amar a nós mesmos.
A porta se fechou, eu estou sozinho, já não ouço os meus gritos, mas agora, são as vozes do que tiveram que me ouvir, que não me deixam dormir. E elas podem, devem, tem todo o direito de gritar.
Que saudades solidão.
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